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Obesidade felina e o risco de Lipidose Hepática

Veja o que pode ocasionar a Lipidose Hepática no seu gatinho e saiba como prevenir!

Por - 15 de abril de 2016

A obesidade, assim como na população humana, tornou-se um problema comum nos animais domésticos. Apesar do apelo ao fenotípico “gordinho”, muitas vezes valorizado pelos tutores, o excesso de peso não é recomendado para os nossos bichanos!

 

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A dieta é um fator muito importante para a prevenção da obesidade. Rações específicas para cada faixa etária e para cada estado reprodutivo podem diminuir o risco de ganho de peso. Gatos castrados e adultos devem receber dietas com menor teor calórico, evitando-se assim, acúmulo de gordura. Entretanto, a quantidade de ração ofertada é fundamental, pois não há sentido em utilizar alimentos específicos e não respeitar a quantidade diária ideal.

 

Além da dieta, o estilo de vida sedentário também pode predispor ao ganho de peso. Assim, é importante manter o estímulo ambiental com brinquedos e mobílias lúdicas, favorecendo à atividade física e à diminuição de estresse.

 

Dentre os vários problemas que a obesidade pode trazer, como afecções cardiorespiratórias e articulares, os problemas metabólicos são muito prevalentes. A Lipidose Hepática é uma doença metabólica bastante comum na clínica de felinos, e que se não tratada de maneira eficaz, quase sempre é fatal.

 

A Lipidose Hepática é um distúrbio causado pelo acúmulo exagerado e repentino de lipídeos dentro dos hepatócitos, que são as células hepáticas. Em um gato normal, o fígado é responsável pelo metabolismo das gorduras, tanto na destruição, transformação e distribuição destas no organismo. Em determinadas situações, como jejum prolongado, ocorre uma exarcebação da mobilização destes lipídeos nos hepatócitos, superando a capacidade destas células de metabolizá- los, o que provoca uma sobrecarga dentro delas, interferindo em suas importantes funções e até levando à morte celular. O fígado fica aumentado porque literalmente as suas células ficam gordas, dificultando até o fluxo da bile. Assim, quanto mais gordura, ou quanto mais o gato estiver acima do peso, mais risco ele terá de ter esta enfermidade, se por ventura deixar de comer por períodos prolongados.

 

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A anorexia (falta de ingestão de alimentos) em gatos também pode desencadear a Lipidose Hepática. Doenças debilitantes, problemas urinários, dor e internação são fatores associados. Qualquer evento estressante, como viagens de tutores, entrada de novos animais ou pessoas no habitat, alterações bruscas na dieta, mudança de ambiente, tudo pode causar anorexia no felino, assim é importante tentarmos identificar situações predisponentes.

 

O diagnóstico é através de exames laboratoriais, principalmente, devendo-se ter o cuidado de não se confundir com outras doenças hepáticas e pancreatite, que até podem ocorrer juntas.

 

O tratamento é fundamentalmente fazer o nosso paciente comer, entretanto, só conseguimos isto, de maneira eficiente, através de sondas alimentares. Não há como curarmos o gato com Lipidose Hepática se não implantarmos uma sonda de alimentação enteral, que através dela, administra- se toda a dieta especial e a medicação. Assim, é importante sempre lembrarmos que a fluidoterapia (soro intravenoso, subcutâneo) não alimenta ninguém! E que internação não é “spa”! Todo felino internado tem que comer. Continuaremos a falar sobre esse assunto nos próximos artigos.

 

SOBRE O COLUNISTA

dr-reginaldo

Formado pela UECE, com mestrado em Ciências Veterinárias pela mesma Universidade e Pós- Graduação em Clínica e Cirurgia de Felinos pela Universidade Castelo Branco- RJ. Coordenador científico da Equalis, cirurgião da Unidade Hospitalar Veterinária - UECE e Clínico e Cirurgião da Clínica Catus - Medicina Felina.

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